Carlos Roboredo nasceu a 22 de abril de 1926, na Meda, distrito da Guarda. Proveniente de família nobre e ainda brasonada, veio para Matosinhos com o seu pai, conhecido notário, advogado e Presidente da Câmara de Meda.

Com onze anos de idade, radicou-se, com a família, em Leça da Palmeira (na casa hoje – Restaurante Chanquinhas), tendo frequentado antes a escola Primária, na Meda, e no Colégio de Cerdeira, em Pinhel.

Em Matosinhos frequentou o Colégio da Boa Nova e na Foz do Douro o Colégio Brotero, sendo o mais velho de seis irmãos, quase todos com notoriedade na sociedade. A sua origem nobre tem a ver com os Condes de Marialva, do distrito da Guarda.

Em 10 de Julho de 1945, concluiu o curso complementar de Ciências, no Liceu de Rodrigues de Freitas, no Porto.

De 1945 a 1948 frequentou na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, o curso de Física, Química e Ciências Naturais.

De 1948 a 1953, frequentou o Curso de Medicina e Cirurgia da Faculdade de Medicina, do Porto.

Em 25 de Julho de 1953, licenciou-se em Medicina e Cirurgia, na Faculdade de Medicina, do Porto.

Em 1951 e 1952, frequentou o Curso de Oficiais Milicianos, em Mafra, tendo sido colocado no Regimento de Infantaria  do Porto, onde conclui o serviço militar obrigatório.

Casou em Santa Cruz do Bispo com D. Manuela Sousa Ribeiro, neta do distinto Prof. José Francisco da Hora, de quem teve três filhos, Drª.Maria Emília, Eng.º Luís e Carlos Manuel.

A partir desta união, Santa Cruz do Bispo ficou a ser a sua residência definitiva, tendo mantido sempre a ligação ancestral com a terra da sua naturalidade, onde foi proprietário e agricultor de sucesso.

A sua ligação à Comunidade foi marcante até 1974, quer na Autarquia, quer na condução da vida social sendo uma figura de relevo sempre que se fez sentir a sua presença. Depois do 25 de Abril, pautou a sua intervenção mais na linha profissional, quer como médico do povo (atendendo generosamente os seus conterrâneos), quer como grande inovador da assistência médica.

Na Casa do Povo de Santa Cruz do Bispo criou e prestou a primeira assistência gratuita, precursora dos Serviços Médicos Sociais, sendo um dos grandes beneméritos desta Instituição, que o foi desde 1956.

Aos 70 anos, em 1996, passou à condição de aposentado, prosseguindo, no entanto, no exercício da sua profissão com um atendimento personalizado e sempre disponível para a comunidade: um grande médico de clínica geral e, de um modo especial, pediatra, sua especialização.

De 26 de Novembro de 1959 até meio do ano de 1963 foi médico voluntário do Hospital de Crianças de Maria Pia, no Porto e depois contratado eventualmente até 2 de setembro de 1968, altura em que foi contratado por escrito e promovido no lugar de 1º Assistente do Serviço B de Pediatria, até fevereiro de 1975. Nesta data ascendeu à categoria de Chefe de Clínica do Serviço B de Pediatria do mesmo Hospital.

Em 11 de Maio de 1960 foi nomeado 2º Assistente do Serviço de Pediatria do Hospital Distrital de Matosinhos e em 12 de junho de 1968, 1º Assistente do mesmo Serviço.

Em 30 de Abril de 1977, após a implantação das Carreiras Médicas Hospitalares, deixou de pertencer ao quadro do Hospital Distrital de Matosinhos por ter optado pelo de Maria Pia, do Porto.

Com médico e Diretor do Hospital de Crianças Maria Pia, concretizou-se a sua grande missão e a realização profissional da sua vida. A ele se deveu a modernização e o bom ordenamento dos serviços de Pediatria, na altura exclusivos no País. Como Diretor Clínico, por nomeação democrática, depois dos tempos conturbados do 25 de Abril, o seu prestígio profissional e carácter resoluto e justo deram-lhe a auréola de defensor da justiça e do direito. No Hospital Maria Pia a sua obra e intervenção em momentos conturbados e difíceis da vida nacional são marcos que honrarão perenemente a figura e o profissionalismo do Dr. Roboredo.

Sabemos que as páginas da História do Hospital Maria Pia, na ligação com este Diretor, ficaram escritas com letras de ouro. O Dr. Carlos Roboredo ficou como um marco importante na História dessa nobre Instituição da Cidade Do Porto.

O seu trabalho, esclarecido, sério e honesto, não foi fácil e não esteve isento dos espinhos próprios dos tempos conturbados que se vivam na sociedade civil. Porventura poderá ter sido contestado, mas apenas pelos corruptos e incompetentes. Não houve força para sanear o Dr. Carlos Roboredo, Diretor do Hospital de Maria Pia, pois não havia mácula que o atingisse, apesar de algumas investiduras nesse sentido. Mas o prestigiado profissional, além de tudo, foi sempre um homem de carácter, frontal, sempre um homem justo.

Faleceu a 15 de dezembro de 2010, na sua residência, em Santa Cruz do Bispo, com 84 anos de idade.

 

Fonte: Texto Retirado Monografia Santa Cruz do Bispo, Matosinhos 2018, páginas 184 e 185.