Fez parte do antigo Julgado da Maia (Santa Cruz de Riba Leça e, mais tarde, Santa Cruz da Maia). A sua atual designação remonta a 1623, por pertencer ao Cabido da Diocese do Porto, ao bispo D. Rodrigo Pinheiro, que, em 1552, estabeleceu, neste local, uma quinta de repouso, junto às margens do Rio Leça.

Os monges de Santo Agostinho, desde cedo, habitaram esta zona. Nos séculos XVI e XVII, com a construção da quinta para estância de repouso dos bispos do Porto, edificaram-se algumas ermidas, que, ainda hoje, se encontram em bom estado de conservação, como, por exemplo, a Capela de São Brás. Existia, também, a igreja matriz, do século XIII, depois reconstruída na edificação atual no século XVIII.

A Ponte do Carro, que liga Guifões a Santa Cruz do Bispo, na garganta mais definida do rio Leça, é, em relação ao que temos vindo a apresentar, contemporânea. Considerada de românico primitivo, com o seu arco dominando a paisagem, estava num dos caminhos dos peregrinos que iam em promessa a Santiago de Compostela. Peregrinos abundantes, a crer nos testamentos da época, que cediam herdade e casais para que os mosteiros tivessem recursos para os abrigar e, no caso de morrerem em viagem, tratar dos seus órfãos. O centro português, para onde convergiam os peregrinos era Braga, centro religiosos de Portugal. A Igreja do Apóstolo tinha conseguido receber um importante rendimento, os votos de S. Tiago, que todos os lavradores pagavam, uma medida de pão e outra de vinho, por cada junta de bois que lavrassem. O alargamento dos votos a casais ermos, que não rendiam, pela diocese do Porto, levaria à contestação dos lavradores, tanto em Braga como no Porto. O Julgado da Maia, tal como o de Gaia e o de Vila da Feira recusaram o pagamento novo, o que levou a uma polémica régia e religiosa que durou anos.

Vemos, pois, que a Ponte do Carro era importante na antiga vila que ligava Santa Cruz à estrada de passagem no caminho do Convento de Moreira, ponto de paragem na Estrada de Santiago. Não podemos esquecer, também, que Guifões era zona de lavradores com certos recursos, que estariam vocacionados para fazer render os seus votos de Santiago com peregrinações ao corpo do Apóstolo. A Ponte do Carro, ao contrário da ponte de alvenaria que se dizia moura, conseguiu sobreviver e é considerada monumento nacional, sobretudo, também por possuir certas afinidades estilísticas com outras pontes peninsulares.

A nível geográfico confina a norte com Perafita, a sul com Guifões, a este com Custóias e Moreira da Maia, e oeste com Leça da Palmeira.