Petra fita é, à semelhança de Lavra e Santa Cruz do Bispo, originária do Julgado da Maia. Localizada na parte nordeste do Concelho de Matosinhos, faz fronteira a sul com Leça da Palmeira, Santa Cruz do Bispo a leste e Lavra a norte e compõe-se pelos seguintes lugares: Aldeia Nova, Barroca, Farrapas, Flores, Freixieiro, Guarda, Pampelido e Montedouro, Padrão, Ribeiras, Varão, Outeiro, Vilar da Bouça, Casais, Quatro Caminhos, Alto do Cão, Caçadores e Monte Pedroso.

Elevada a vila em 2005, Perafita tem uma história marcada pela antiguidade do seu povoamento. São, portanto, vários os vestígios arqueológicos encontrados e o próprio nome Perafita parece ter claro sentido arqueológico. Da mesma forma, a instituição paroquial é muito antiga. Já aparecem referências ao orago de São Mamede na primeira metade do século XI.

O estudo do mais remoto povoamento do Homem, em Perafita, tem um valioso aliado na arqueologia. A presença humana no território português remonta a muitos milhares de anos, ao tempo em que o homem se servia de instrumentos de pedra, de seixos rolados ou de blocos de sílex, cujo perfil procurava adaptar, lascando-os na tentativa de obter uma maior eficácia na sua utilização. Desde o período primitivo do Paleolítico, ao Neolítico, vai um longuíssimo caminho, mas a pedra continua a ser a matéria-prima por excelência com que o homem fabricava os seus instrumentos, armas e ferramentas. A partir do quarto milénio a.C., os vestígios são mais significativos. Seriam pequenos grupos humanos que continuavam a praticar a caça ou a recoleção de frutos e de espécies que apanhavam nas praias, mas que já baseavam a sua economia na agricultura e na pastorícia.

A pequena colina que, ainda hoje, é conhecida por Crasto, terá sido um pequeno povoado deste período, certamente subordinado a outro maior. Há ainda a hipótese de ter sido esse reduto utilizado temporariamente por uma comunidade que aqui vinha em fainas piscatórias e agrícolas. As referências que se encontram na Portugaliae Monumenta Histórica, obra que se dedica, sobretudo, ao estudo da Idade Média em Portugal, fazem supor a existência de povoamento, em Perafita, durante o Neolítico Final e o Eneolítico. Por outro lado, as referências escritas a “petro fita” surgem desde 959, segundo Domingos Moreira; em 1008 “uilla que uocidant petrafitta”, e, em 1041, aparece pela primeira vez o orago: “Eglesia de Sancto mamete de petra fita”. Nas inquirições de D. Afonso III, em 1258, a villa de Petra Ficta é mencionada no Julgado da Maia, onde permaneceu durante séculos, pois só com a entrada em vigor do regime liberal passou a fazer parte do Julgado de Bouças, com a atual designação, Perafita. Mas, então, o que significa “Perafita”? Este topónimo, segundo Alberto Sampaio e Ivo Xavier Fernandes, sofreu uma grande evolução ao longo do tempo. A sua etimologia radica nos termos latinos “pedra” (“petra”) e “fincada” (“ficta”), ou seja, parece aludir a um menir, a outro monumento megalítico ou ainda a um antigo marco divisor de pedra, teorias comprovadas pela existência de vestígios arqueológicos na freguesia.